A propaganda é peça vital para a campanha de qualquer político, ela revela a face de suas ideias e influencia a construção de sua figura no imaginário das pessoas. Joseph Goebbels, ministro da propaganda do nazismo, desenvolveu táticas de divulgação das ideias de Hitler, os chamados “11 Princípios da Informatividade”, que influenciaram e convenceram toda uma nação de que o problema era o povo judeu, através de um discurso perigoso, nacionalista e raso, que instigava a violência social. E os princípios desenvolvidos por ele atingiram seu propósito. Podemos traçar um paralelo claro aos dias de hoje. Vivemos em uma época em que discursos totalitários têm sido exaltados e mais ainda, legitimados.

Entre os seus 11 princípios está o da Simplificação, ou seja, não diversificar e escolher um inimigo único para todos os males e problemas da sociedade. Na Alemanha, o inimigo era o povo judeu e no Brasil, um candidato à presidência atribui ao partido adversário todos  as mazelas do país, produzindo discursos como: “Vamos fuzilar a petralhada”- Jair Bolsonaro. Outro princípio utilizado por Goebbels era o do Contágio, que consiste em divulgar a capacidade de contágio que o inimigo tem. Mostrar como tudo era “perfeito” antes e agora o presente e futuro estão ameaçados, como por exemplo, a ameaça comunista e do Brasil se tornar a nova Venezuela.

Já a terceira tática defendida pelo ministro de Hitler era a Transposição, que significa atribuir a culpa de todos os males sociais ao seu inimigo. A Alemanha vivia uma época conturbada, o sentimento de humilhação com o Tratado de Versalhes e a crise econômica assombrava a população. E através desse sentimento de insatisfação, Goebbels conseguiu tocar os alemães e persuadir a compactuar com a barbárie.

Nessa linha de pensamento, podemos citar outro princípio, da Exageração/ Desfiguração, que exagera as más notícias e as desfigura, fazendo uma mentira repetida várias vezes se transformar uma verdade.

Outra tática parecida é a Vulgarização, que resume as ações do oponente em ordinárias e de má índole. A generalização é um fator muito usado nesse momento. Hitler comparava os judeus a pragas e ratos e se referia a eles como criaturas imundas. No Brasil podemos ver frases como: “As mulheres de direita são muito mais bonitas do que as de esquerda. Não mostram o peito na rua e não defecam para protestar” e “Ou seja, as mulheres de direita são muito mais higiênicas que as da esquerda”- Flávio Bolsonaro.

Temos o princípio da Orquestração, que leva boatos a serem compartilhados como notícias, sendo replicados pela imprensa oficial. No Brasil, desde a redemocratização é notável certos posicionamentos políticos de setores da mídia. No princípio do Verossímil se discute a informação com opinião de vários especialistas, mas todos contra o inimigo abordado, tendo como objetivo levar o receptor a acreditar nessa informação.  Esses dois princípios, além de semelhantes podem ser ilustrados pelo vídeo onde o ex-diretor da Rede Globo comenta alterações realizadas no último debate de 1989.

Ainda há o princípio da Renovação, que consiste em bombardear de notícias sobre o inimigo para que quem receba as mensagens não tenha tempo de pensar e se sinta sufocado. No nazismo, o meio mais utilizado para disseminar as notícias era o rádio. Aqui, na era digital, usam as redes sociais e o whatsapp. O princípio do Silêncio consiste em ocultar e negar toda informação que não seja conveniente.

Já a penúltima tática é a Transferência, que potencializa um fato do presente com um do passado, se noticiando um fato que se acresce a outro antigo, como quando Jair Bolsonaro falou: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Por fim o princípio de Unanimidade , que converge assuntos do interesse geral e faz uso do sentimento produzido por estes para colocá-los contra o inimigo escolhido.

O cientista político Juan Linz escreveu, em 1967, o livro “A Erosão dos Regimes Democráticos”. Nele é desenvolvido o Teste de Linz, que objetiva identificar tendências autoritárias em atores políticos que buscam o poder através da democracia. A partir do Teste de Linz, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt adaptaram as questões para a atualidade. As perguntas do teste são: O líder aceita as regras democráticas? O líder incentiva a violência? O líder deslegitima os seus rivais? O líder coloca em dúvida os direitos civis dos seus adversários? O teste foi aplicado aos candidatos à presidência do Brasil e apenas um candidato foi identificado como portador de um discurso autoritarista e retrógrado. Não devemos nos deixar seduzir por falas e soluções simplistas para questões complexas. Ignorar a história é estar fadado a cometer os mesmos erros.

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