Uma simples pesquisa na internet pode dizer muitas coisas sobre nossa organização social e cultural, sobre o imaginário que rege nosso senso comum. Pesquise, por exemplo, “qual perfil” nas imagens de um site de busca e os resultados serão, invariavelmente, de homens brancos.

Nos resultados gerais, as perguntas também denunciam um lugar de construção do discurso que é excludente. Qual o perfil de um líder de sucesso? Qual o perfil de um funcionário ideal? Qual o perfil de um empreendedor? Geralmente, a resposta a isto também perpassa por perfis estereotipados no imaginário coletivo e exclui a maior parte da população brasileira: negras, negros, marginalizados em meio a este Brasil ainda escravocrata, que perpetua ideais que fermentam e reverberam discursos puramente odiosos.

Passados 131 anos da abolição da escravatura, vemos como os corpos negros continuam desumanizados e marginalizados. As escolas e instituições perpetuam uma educação orientada pela ideia eurocêntrica do branqueamento. Essa é a nossa história. O fato é que, mesmo não declarado, e muitas das vezes nem percebido, o racismo faz parte das nossas instituições, porque faz parte da própria estrutura social do país.

MAS, O QUE FAZER…?

Diante desse cenário, o questionamento que surgiu foi saber, de que modo o racismo estrutural afeta o acesso do jovem negro ao mundo do trabalho?

Buscando o embasamento de dados sérios para pensar o acesso da juventude negra de Niterói e São Gonçalo ao mundo do trabalho, a ONG BemTV, junto à Frente PapaGoiaba promoveu a pesquisa A incidência do racismo na empregabilidade da juventude em Niterói e São Gonçalo“que foi realizada pela equipe da BemTv com assessoria do Departamento de Métodos Estatísticos da UFRJ e apoio da União Europeia. 

Mas esse processo vinha se gestando de antes…

Reunião da Frente PapaGoiaba, na sede da Bem TV.

A CENTRAL SOLIDÁRIA DE OPORTUNIDADES

As indagações que movem essa campanha surgiram ao longo do projeto Central Solidaria de Oportunidades (CSO), uma iniciativa que busca identificar as possibilidades de troca e colaboração que existem entre os jovens de classe popular, empresários e organizações da sociedade civil que trabalham com juventudes nos municípios de São Gonçalo e Niterói, dentro do mercado de tecnologias da informação e comunicação.

Por meio de uma plataforma na web, a CSO alimenta e cruza informações em um banco de dados para viabilizar oportunidade efetivas de ingresso de jovens previamente capacitados ao mundo do trabalho. A partir da experiência com o encaminhamento desses jovens, identificou-se uma constante: os jovens mantidos nas vagas eram majoritariamente brancos, e isso independia da sua qualificação, competência demonstrada nos cursos ou mesmo experiência.

A FRENTE

Era preciso agir por outras frentes, pois essa ação se mostrava insuficiente para resolver essa clara distorção. Assim, surge a Frente PapaGoiaba de Promoção dos Direitos da Juventude Negra, articulação de coletivos e instituições dos municípios de Niterói e São Gonçalo, construída a partir das fissuras na garantia de direitos de jovens negros e favelados do leste fluminense.

Com a missão de enfrentar a invisibilidade do racismo institucional nessas cidades, assim como a falta de capacitação das organizações sociais do território para promover esta discussão, o projeto investe em três linhas de ação: Produção e Disseminação de InformaçãoCapacitação e Incidência Política. Do trabalho desenvolvido pela Frente surge a Pesquisa citada.

Reunião da Frente PapaGoiaba

…E DA PESQUISA, UMA MOBILIZAÇÃO E DUAS CAMPANHAS

Desta forma, perante os resultados lançados pela pesquisa, a Frente assume a iniciativa de mobilizar a sociedade civil. No intuito de sensibilizar o conjunto da sociedade fluminense e, em particular, os empresários e profissionais do mundo corporativo, a mobilização dá origem a duas campanhas que se articulam entre si: #QualPerfil? e [r+H]. Embora os preocupantes dados desvelados pela pesquisa, foi o depoimento de jovens que diariamente ouvem que ‘não se encaixam no perfil’ para uma vaga de emprego, o que levou a lançar o questionamento #QualPerfil? em busca derecursos mais Humanos

Trata-se então, de duas campanhas que, com públicos e abordagens diferenciadas – uma voltada para sociedade em geral através da juventude e a outra para o segmento de empresários, profissionais de RH e de responsabilidade social corporativa – encaram a mesma a mesma delicada questão: Como superar a distorção que leva à naturalização da discriminação racial, deslegitimado os saberes da juventude negra no ambiente profissional?

A Campanha #qualperfil? vêm para contar e apresentar outras narrativas, as histórias que foram silenciadas e que precisam ser ditas. Por sua vez, a campanha [r+H] por recursos mais Humanos, busca dar visibilidade a experiências positivas no âmbito empresarial para a sensibilização desses atores sociais e assim incidir na possibilidade de mudança deste quadro.

NITERÓI E SÃO GONÇALO, O CONTEXTO DESVELADO PELA PESQUISA

Os dados da pesquisa são alarmantes. No município de Niterói, 32,7% dos jovens entre 15 e 29 anos está desempregado, mais do que na Síria em guerra civil. Já em São Gonçalo, 34,7% da juventude não tem emprego, uma taxa maior do que a registrada entre os jovens do Haiti, país mais pobre das Américas.

(…) Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados 
(…)
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui

Particularmente em Niterói, a situação é ainda mais crítica para os jovens autodeclarados pretos, quase metade deles (48%) está sem emprego. Nessa cidade, a única parcela da juventude que observa taxa de desemprego (53%) maior do que a taxa de emprego (47%) são as mulheres pretas.

Niterói, além de apresentar PIB maior que o de São Gonçalo, é um município majoritariamente branco. Sua população jovem é constituída por 60,35% de brancos. A população jovem de  São Gonçalo é constituída por 45% de pardos e 12% de pretos. Logo, mais da metade dos jovens de São Gonçalo são negros. A pesquisa aponta que o racismo é maior em Niterói, enquanto a discriminação de gênero ocorre mais em São Gonçalo.

Preconceito, falta de oportunidades na educação, mercado de trabalho excludente. Em que lugar se esconde o racismo, já que é tão negado? A campanha #qualperfil? traz para a roda um debate por muito tempo adiado que não pode ser evitado. Por que os jovens negros escutam nas entrevistas de emprego, mesmo antes de terem seus currículos analisados, que não tem o “perfil” necessário para ocupar uma vaga?

A gente pergunta, mas afinal #QualPerfil?

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