Passados mais de quatro meses após o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, vítimas de uma emboscada no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão sancionou a Lei 8.054/18, incluindo no calendário oficial do Estado o dia 14 de março como Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra. Em julho, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra, Latina e Caribenha e o Dia de Tereza Benguela e da Mulher Negra no Brasil, recuperar a memória de uma militante dos direitos humanos é extremamente simbólico para que os debates, ações e políticas públicas sejam desenvolvidas para acabar com a brutalidade e a omissão do Estado.

À custa de vida e sofrimento mais uma mulher impulsionou a
criação de leis para garantia da vida de todas.

O texto da lei prevê que instituições públicas e privadas realizem debates e palestras, com o intuito de promover reflexões a respeito do genocídio das mulheres negras e contribuir para a criação de políticas afirmativas que colaborem para a diminuição da prática.

O assassinato da vereadora revela não só um ataque aos direitos humanos, visto o papel que Marielle ocupava, mas indica também um ataque claro à democracia.

 

Marielle Franco foi a 5ª vereadora mais votada do município. Seu assassinato revela uma tentativa de silenciamento de um grupo, de um discurso, a tentativa da desmobilização de uma luta.

Nesses 4 meses, os atos, passeatas, encontros e debates revelaram que a luta de Marielle não foi em vão. Suas palavras e sua atuação caíram no solo como sementes e brotarão em muitos jovens, que ecoarão por muito tempo o nome de Marielle, que está presente, cada vez mais, hoje e sempre. É mais que necessário que as autoridades e o poder público estejam comprometidos com as pautas das minorias, das mulheres e das mulheres negras, expostas a todo tipo de violência. “Quantos mais vão precisar morrer pra que essa guerra acabe? ”

Fotos: Amanda Soares